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  • Beatriz Morais

Dia Internacional da Rapariga

Beatriz Morais, 18 anos, rapariga, Vila Nova de Gaia, Portugal. Quando sou

questionada sobre os meus dados pessoais, estes cinco parâmetros constam, na

maioria das vezes, numa série de questões às quais são necessárias respostas.

Efetivamente, dados como o nome ou a idade são algo que me definem como pessoa,

bem como o ser rapariga. Nesta sexta-feira, dia 11 de outubro celebramos o dia

internacional da rapariga, data instituída pela ONU. Alegra-me ter um dia dedicado a

mim... Contudo, após uma breve refleção, apercebi-me que este dia não é sobre mim,

nem sobre todas as raparigas que me rodeiam na faculdade, nos transportes públicos

ou nos centros comerciais, mas sim sobre todas aquelas que nunca teremos o

privilégio de conhecer. Aquelas que nunca poderão ler este meu texto, visto que nunca

terão meios ou capacidades para o fazer. A sociedade e os media iludem-nos dia após

dia… Todavia, para vos dar um pouco de luz nesta cegueira em que vivemos

diariamente, queria deixar uma série de dados relativos a este tema:

 “Existem 1,1 mil milhões de raparigas no mundo.

 Uma em três raparigas casa antes dos 18 anos nos países em desenvolvimento,

o que aumenta a probabilidade de violência pelo parceiro.

 700 milhões das mulheres de hoje casaram antes dos 18 anos e um terço

destas casou antes dos 15 anos. 

 As raparigas pobres têm 2,5 vezes mais hipóteses de casar na infância do que

as raparigas ricas. 

 7 milhões de raparigas menores engravidam por ano nos países em

desenvolvimento.

 40% das gravidezes não são planeadas, com grande parte deste número a

resultar de violações.

 Mais de 3 milhões grávidas não têm acesso a planeamento familiar e cerca de

40% das jovens procuram contracetivos sem êxito.

 Entre 100 a 142 milhões de raparigas terão sido submetidas a mutilação

genital.

 31 milhões de raparigas em idade de escola primária e 34 milhões em idade do

secundário não vão à escola.” (1)


Como referi previamente, a minha nacionalidade é portuguesa e esse fator

colocou-me numa posição em que o meu maior problema, até agora, foi não gostar

de saias e ser obrigada a usá-las como uniforme escolar, enquanto os meninos podiam

utilizar calças, “por serem meninos”. A lotaria da vida fez-me nascer na Europa e

afastou-me do Médio Oriente ou de África, onde as realidades relatadas previamente

fazem parte do quotidiano. Sim, vou penar por ser mulher, vou ter que trabalhar de

forma mais árdua para me igualar aos meus colegas, de modo a ganhar o mesmo nível

de respeito e admiração, mas tenho a certeza de que lá chegarei. Acredito que vivo

num mundo em que não me são roubadas oportunidades apenas por ser mulher.

No entanto, não nos devemos esquecer que há uma quantidade significativa de indivíduos por esse mundo fora que vê as raparigas como “algo inferior” ou “coisa”.

Tenho consciência que os meus antepassados, a minha avó, bisavó, trisavó, entre

outras mais afastadas, lutaram diariamente para que eu possa escrever este texto com

o orgulho de dizer EU SOU RAPARIGA, EU SOU MULHER. Mas há milhões de raparigas

que simplesmente não tiveram a minha sorte… Não tiveram ninguém que lutasse por

elas. Nós temos de ser essas pessoas! Temos de partilhar a mensagem, dar a conhecer

a causa e os motivos de a apoiarmos. Hoje é o nosso ponto de partida, para que todas

as raparigas, onde quer que estejam possam partilhar do meu orgulho em dizer: “EU

SOU RAPARIGA, EU SOU MULHER”.



(1) - https://www.calendarr.com/portugal/dia-internacional-da-rapariga/